Primeiro post!

Já faz um tempo que tive a ideia de criar um blog para compartilhar minhas experiências como escaladora esportiva e mãe ao mesmo tempo. Nunca tive um blog, e confesso que me assustei com tantas opções e ferramentas, por isso demorei um pouco para começar.

Espero que as informações que eu poste aqui sejam de útilidade pública, e espero que outras amigas mães-escaladoras tenham vontade de compartilhar suas experiências também! Sintam-se à vontade!

Vou começar falando um pouco sobre a minha gravidez e o parto da Luisa.

Quando descobri, em maio de 2012, estava grávida de dois meses, e sob recomendação médica não poderia fazer atividade física, pois a placenta ainda não estava inteiramente “colada”. Foi muito tranquilo, não me sentia à vontade escalando, e decidi parar mesmo. Tinha medo de cair e prejudicar o bebê de alguma forma. Pensei em fazer travessias na área de boulder, mas fiquei com medo de tropeçar no colchão e torcer o pé, ou de alguém cair em cima de mim. Quem escala na Casa de Pedra sabe como o boulder fica lotado…parece engraçado, mas eu fiquei cagona mesmo.

Eu tive a sorte de não ter sentido enjôos nem vontades malucas, descansei bastante e comi muito também. Tirando alguns imprevistos, que logo contarei, me senti muito saudável durante a gravidez toda. Tomei muitas vitaminas e não fiquei doente nenhuma vez.

No quarto mês de gravidez, descobrimos que a Luisa tinha uma calcificação no coração. Foi um soco na cara. Eu não esperava que algo do tipo pudesse acontecer, e é mais comum do que podemos imaginar. Adiantamos o ecocardiograma fetal (eu nem sabia que existia!), que sempre é feito na 33a semana, e lá estava ela, uma bolinha calcificada bem no meio daquele coraçãozinho minúsculo. Tanto a Mari Cocuzza (a obstetra incrível que fez meu pré-natal e o parto), quanto a especialista no caso e o Javier Miguelez (obstetra que fazia os exames periódicos) nos tranquilizaram, dizendo que deveríamos esperar, pois provavelmente isso iria desaparecer.

Nosso grande problema foi procurar casos semelhantes no Google (conselho: não faça isso). A calcificação no coração está associada a algumas doenças genéticas, que logo foram descartadas pelos exames periódicos. No final da gravidez, repeti o ecocardiograma fetal, e dessa vez a calcificação havia desaparecido, deixando uma CIV (Comunicação Intra-Ventricular). A CIV costuma desaparecer até o parto, que foi o caso da Luisa, em outros casos é necessário cirurgia.

No quinto mês de gravidez, fomos para os Estados Unidos aproveitar as férias do Octávio e comprar algumas coisas pra Luisa. Estivemos uns dias no Mount Charleston, a linda falésia de calcário perto de Las Vegas, onde na década de 90 todos os escaladores esportivos mais fortes escalavam. Foi a única vez que fiquei com vontade de escalar!

Amei todo o processo de escolher, comprar e arrumar as coisas da Luisa. Eu tinha uma lista que minha prima Carol havia me dado, mas não tinha noção pra que servia metade das coisas, e ela foi me ensinando. Olhava as roupinhas e imaginava ela vestindo, como seria sua carinha….tinha certeza que seria bem japonesinha e bem parecida comigo. Como eu estava enganada! hahaha.

No início de novembro de 2012, descobrimos que ela não estava crescendo conforme deveria, entrei de licença do trabalho com a seguinte recomendação da Mari: “descanse e coma muito, muito mesmo”. Minha mãe adorou a notícia! Eu comia muito, o dia todo. Inclusive comecei a comer açaí, que eu não comia antes. Claro que no final das contas engordei bastante!

Como não podia ficar zanzando por aí, passava o dia assistindo os programas “Eu não sabia que estava grávida”e “Um bebê por minuto”. Era cada história tão bizarra, e cada parto tão assustador, que eu fiquei tranquila com a minha hora. Sabia que não ia ser tão bizarro assim hahaha. Também aproveitei e li os livros da “Encantadora de bebês”. Não amei, mas algumas coisas são interessantes. Outras só aprendemos na prática mesmo.

Fiquei um mês de repouso e a Luisa cresceu um pouco. Numa sexta-feira fiz outro ultrassom periódico e foi constatado que o líquido amniótico havia abaixado. Eram dias terrivelmente quentes, o que poderia ter me desidratado. Outra possibilidade era de que a Luisa poderia estar algum problema no rim, e não estar fazendo xixi. Dessa forma, fui internada no domingo (9/12/12) na Pró-Matre Paulista, sabendo que havia a possibilidade de ter um parto prematuro, e ela acabar indo pra UTI Neonatal. Estava grávida de 34 semanas e chorei bastante antes de ir pra maternidade, rs…

O atendimento na semi-intensiva é muito bom e a comida lá é muito boa. Estava falando sobre isso semana passada para outra prima minha, a Patrícia, que está grávida. Comi muito bem, minha irmã também comeu hehe. As enfermeiras, que são especialistas, te monitoram com alguns exames a cada 3/4 horas e são muito solícitas. Tomei soro direto e o líquido amniótico voltou ao normal depois de dois dias.

Como as coisas estavam andando bem, a Mari disse que eu faria outro ultrassom na sexta-feira (14/12/12) para poder me dar alta. Assim eu poderia passar mais uns dias em casa, até que completasse 36 semanas (quando já não é mais prematuro) e ver como a gravidez evoluiria.

Na quinta-feira, foi aniversário do Octávio. Ele, minha mãe e minha irmã revezavam para me fazer companhia. Ele dormia todas as noites no sofá do meu lado, um dia até caiu no chão, hahaha. No dia seguinte estava ansiosa para fazer o exame e ir embora para casa, apesar da comida ser boa, queria comer a comida da minha mãe e tomar um ar. O único problema do meu quarto é que não tinha janela que dava pra rua.

Na manhã do dia 14, foi constatado no exame que o líquido amniótico havia abaixado absurdamente. A Mari virou pra mim e disse: “Vamos conhecer a Luisa hoje?”. E eu fiquei tão feliz!!!!!! Não via a hora de pegar ela no colo, ver a carinha e tudo o mais.

Todo mundo ficou desesperado. O Matheus (meu enteado) tinha festa na escola, meu pai estava indo viajar a trabalho e voltou no meio do caminho, a Thais estava doente e ficou em casa. E o pior, eu não tinha arrumado nada da Luisa. Minha mãe que se adiantou e lavou e passou as roupinhas, arrumou o quarto todo para receber a gente.

A cesárea foi muito tranquila. Quem me conhece sabe que eu tenho medo de agulha e desmaio quando tiro sangue. Eu não senti a agulha da anestesia, não senti dor nem nada. Só coceira no rosto que é reação da morfina, de acordo com o anestesista, que conversou comigo o parto todo, porque o Octávio estava mudo.

A Luisa nasceu com 2,155 kg e 43 cm, as 22:37. Minúscula, foi direto pra UTI. Eu me lembro de achá-la parecida com o Gustavo, meu sobrinho. Minha prima Carol, que acompanhou o parto, achou ela a cara do meu pai. O Octávio disse que sentia cheiro de carne queimada, que minha barriga parecia picanha, e que ficaria um tempo sem comer carne 😛

No dia seguinte, fui acordada pelas enfermeiras que me ajudaram a tomar banho. O Octávio já havia se informado sobre o funcionamento da UTI, horários e tudo o mais e já tinha visto a Luisa na incubadora. Não tive medo de pegá-la no colo pela primeira vez, estava ansiosa, não acreditava que tinha feito aquela coisinha minúscula, linda e vermelha que era a Luisa recém-nascida! Eu estava tão feliz, mas tão feliz, que demorou um tempo ainda pra cair a ficha do que é a UTI Neonatal.

Costumo dizer que a Luisa era a “Gisele Bundchen” da UTI. Os outros bebês eram bem menores, a maioria estava lá há mais de 1 mês. Presenciando tantas histórias tristes e tantos casos complicados, é difícil ficar forte mesmo sabendo que a Luisa só precisava engordar um pouquinho e ficar em observação até poder ir pra casa. Foi estranho não levá-la logo para casa e receber as visitas que esperava.

Chorei muito, até que um dia minha mãe me disse: “Você tem que entender que precisa esperar o tempo dela ficar bem. Não é o seu tempo”. Depois disso, as coisas foram melhorando, e por outro lado aprendi muita coisa antes de ir pra casa. As enfermeiras da UTI são incríveis, tem que gostar muito do que faz para trabalhar lá. Elas me ensinaram a amamentar, e foi muito fácil, não senti nenhum incômodo. Aprendi a usar a maquininha de ordenha, aprendi a maneira correta de armazenar o leite caso necessário, entre muitas outras coisas.

Não é possível saber nem investigar porque ela não cresceu normalmente, mas uma das possibilidades é que eu tenho o útero bicorno, dividido em duas cavidades, dessa forma ele “estica” menos do que se fosse uma cavidade só.

Trazer a Luisa pra casa foi uma felicidade imensa! Finalmente começaríamos a nossa vida normalmente! Mas também bateu aquele desespero: “e agora? o que eu faço?”. Acredito que é muito fácil ter depressão pós-parto se você vai pra casa sozinha, sem ajuda. Tive sorte de passar os dois primeiros meses da Luisa na casa da minha mãe, que me ajudou muito e que não tinha perdido o jeito com bebê!

Hoje nós damos risada, pois dávamos banho nela juntas. Nem precisava, dava para segurá-la com uma mão, e ela nem se mexia. Hoje ela quer pular pra fora da banheira, joga toda água pra fora e briga comigo porque não quer sair, hahaha.

Aos 4 meses, a Luisa atingiu a curva normal de crescimento. Logo que nasceu, além de mamar no peito, ela também tomava complemento (leite em pó). Dizem que o bebê pode largar o peito porque é mais fácil mamar na mamadeira. Ainda bem que este não foi nosso caso! Ela mamou no peito até completar um ano, e foi parando sozinha.

Eu pedi demissão do trabalho assim que minha licença terminou, e é maravilhoso poder acompanhar todo o crescimento dela. Passa tão rápido!

Eu voltei a escalar quando a Luisa estava com 7 meses. Demorei muito, eu sei! Mas isso eu conto em outro post!

Boas escaladas,

Analu.

 

Enfeite da maternidade, que hoje está no quarto da Luisa. É bordado, feito à mão pela minha mãe (ela aceita encomendas).

Enfeite da maternidade, que hoje está no quarto da Luisa. É bordado, feito à mão pela minha mãe (ela aceita encomendas).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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