De volta, finalmente!

Depois de muito tempo sem escrever (estava terminando a faculdade!), cá estou novamente, com muitas coisas para compartilhar.

Todos sabem que a escalada é um esporte de risco, que requer muito conhecimento e responsabilidade (entre tantas outras coisas) para que acidentes não aconteçam. Mas, mesmo assim eles acontecem, e quando acontecem eu fico muito abalada. Percebo que cada dia vai acontecendo mais perto do meu círculo de amizades, e isso me preocupa muito.

No ano passado aconteceu um acidente com uma pessoa próxima, e me peguei pensando: “Será que eu estou certa em envolver a minha filha num esporte como esse?”. E óbvio que vira e mexe eu me lembro do triste caso do Tito Traversa, prodígio italiano que faleceu aos 12 anos num acidente, escalando na ausência dos pais. Depois disso jurei que, se a Luisa se tornar uma escaladora, ela nunca irá sem alguém da família. Por um lado acho essencial ela crescer tendo esse contato com a natureza e com o esporte, e por outro tem o risco.

Também me peguei pensando se somos muito egoístas de querer levá-la para escalar com a gente, sendo que agora com 2 anos, ela adora mesmo é um parquinho, e nesse calor só quer saber da piscina! Faz muito tempo que não a levamos para a pedra, já que me lesionei há quase 3 meses e estou parada curtindo umas férias forçadas. Mas estou curiosa para levá-la novamente e saber como se comportará!

Sei que não podemos abrir mão de tudo para satisfazer as vontades dos filhos, e na medida do possível, acertando e errando, vou aprendendo a achar um equilíbrio.

Lembro que numa das primeiras vezes em que levei a Luisa para a pedra, estava super insegura do que estava fazendo (ainda estava numa fase superprotetora), e se não me engano o Lucas Motoshima me disse algo do tipo: “teria adorado se minha mãe tivesse me levado pra pedra quando era bebê!”. Depois disso, fiquei mais tranquila e me senti bem! rs…

Nesse blog que acabei de descobrir, a Kate fala um pouco sobre ser egoísta ou não ao levar as crianças para escalar, e também há outros posts interessantes.

E você? Qual sua opinião?

Alguma dica para compartilhar?

Boas escaladas!

Ana Luisa.

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Voltando a escalar e levando seu bebê junto.

Muitas pessoas me perguntam qual mochila eu escolhi para carregar a Luisa, e como eu encontrei a barraquinha onde ela dorme quando vamos para a pedra. Esse foi um dos motivos de eu ter tido a ideia de criar um blog, pois não achei dica nenhuma em português, somente em inglês. E eu pesquisei muito, muito mesmo.

Como disse anteriormente, voltei a escalar quando a Luisa estava com 7 meses (julho/2013). Confesso que fiquei com preguiça e não queria ficar mais tempo longe dela (eu faço faculdade de manhã enquanto ela fica com a nossa querida Lindaura, a “Dadá”). Se não fosse minha mãe praticamente tomar a Luisa do meu colo e me largar na porta academia, eu teria demorado mais ainda.

O retorno é difícil, a escalada é um esporte ingrato, mas eu tinha algo a meu favor, o peso. Quando engravidei, estava com 60 kg, o que acho muito para os meus modestos 1,62 cm. No final da gravidez atingi 76 g kg, e quando voltei a escalar estava com 51, acreditem. A amamentação, a correria e a genética me ajudaram bastante, só tive esse peso até os 18 anos. Não achava que estava com tanta vontade de voltar assim, afinal escalo há 16 anos, e de vez em quando eu perco a motivação. Mas foi só por as mãos nas agarras que uma saudade imensa veio à tona! Depois disso não parei mais, desde março deste ano faço um treino pesado e nunca estive tão forte.

O primeiro pico de escalada que a Luisa conheceu foi o Rubinho, na região de São Bento do Sapucaí. As vantagens desse lugar são muitas: as pedras são muito perto da estrada, existem boulders de várias graduações, e há espaço para montar o “acampamento”.

Sempre precisamos estar com mais alguém para revezar: enquanto um escala, um dá segurança e outro cuida do bebê. Fomos alguma vezes fazer boulder sem a terceira pessoa, e escalávamos enquanto ela dormia. No início carregávamos a Luisa no canguru, pois ela era pequena para a mochila.

Luisa e a tia Thais, no Rubinho. Foto: arquivo pessoal.

Luisa e a tia Thais no Rubinho. Foto: arquivo pessoal.

O Rubinho é perfeito para quem está começando ou voltando a escalar, como era o meu caso e sempre achei o Bigode e o Aranha difíceis. Comecei fazendo V0, V1, V2 e assim foi…me ajudou muito a evoluir no boulder sem perder a motivação. Hoje o Aranha conta com linhas mais acessíveis, assim como o Cruzeiro.

A barraquinha

Luisa dentro da barraquinha na Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Luisa dentro da barraquinha na Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Durante minhas pesquisas, me dei conta que quando levasse a Luisa para a pedra, uma hora ela iria dormir. Onde eu iria colocá-la? Depois de pesquisar inúmeros berços desmontáveis, e ver que todos eram muito pesados e grandes para carregar por aí, decidi procurar uma barraquinha. As vendidas aqui no Brasil (pelo menos na época em que procurei) não fecham totalmente, e meu maior medo era a menina ser atacada pelos pernilongos enquanto dormisse.

Foi pesquisando que encontrei essa aqui da Koo-di, que fecha com telinha e o bebê fica bem protegido. Uma vez, estava tão cheio de mosquitos no Cipó, que eu queria ficar lá dentro com ela! A barraca vem com um colchãozinho de algodão branquinho, fiquei com dó de levá-lo no meio do mato e adaptei um therm-a-rest inflável  aposentado do Octávio, que dobrando ao meio, cabe certinho. É muito fácil de montar e desmontar como o vídeo mostra, e é muito leve. Ela vem dentro de uma bolsa feita com um tecido muito fininho, de tanto levar para lá e para cá acabou rasgando, tive que arranjar outra. Comprei na Amazon, mas a marca é britânica. Lá deve ser mais fácil de encontrar.

Luisa na barraquinha e nosso amigo André Maeda ao fundo. Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Luisa na barraquinha e nosso amigo André Maeda ao fundo. Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Sempre montamos nosso “acampamento” em cima de um tapete de picnic que vende na Decathlon. O tamanho dele aberto e enrolado é bom, é leve, fácil de lavar e a parte que fica voltada para o chão é de plástico, evitando que a parte de cima fique úmida. Como nossos picos sempre tem cocô de vaca, ajuda demais!

A alimentação

Eu me enganei legal achando que quando a Luisa crescesse ficaria mais fácil levá-la. Até hoje não sei de onde eu tirei uma ideia tão ingênua! Enquanto o bebê só mama e não anda é muito mais fácil, menos coisas para pensar e para levar.

Em setembro de 2013, quando a Luisa tinha 9 meses, passamos 14 dias no Cipó. Eu fiz papinha e congelei para todos estes dias, passei um dia todo cozinhando, e valeu a pena. De vez em quando eu dava papinha industrializada, mas não queria passar todos esses dias oferecendo somente esse tipo de alimentação. Deixava no congelador, e no dia anterior punha na geladeira o que iria usar. Saíamos um pouco antes das 10:00, e na hora do almoço já havia descongelado. Levo tudo numa lancheira térmica.

Uma coisa que aprendi na prática foi usar a rede como auxiliar na hora de dar comida, principalmente quando o bebê ainda não senta sozinho. É complicado explicar como ponho ela na rede, é melhor ver a foto:

Luisa lanchando na Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Luisa comendo na Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Octávio dando almoço para Luisa enquanto eu escalava. Foto: arquivo pessoal.

Octávio dando almoço para Luisa enquanto eu escalava na Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

A mochila

Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

A mochila que escolhi para carregar a Luisa trilha afora é o modelo Poco Premium da Osprey. Minha decisão foi baseada nas avaliações que esta blogueira fez (ela também avaliou a da Deuter e da Kelty). Não tive acesso “físico”a nenhuma mochila, escolhi pesquisando na internet e comprei na loja da REI (minha irmã trouxe dos Eua para mim). Essa mochila da Osprey atendeu a minha necessidade de ter bastante espaço para guardar as coisas. Na parte inferior, guardo as roupas, fraldas e a lancheira com comida. Na parte de cima, que se solta e vira uma pequena mochila, guardo os brinquedos e outros itens menores, como chupeta e protetor solar.

Trilha do G3, Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Trilha do G3, Serra do Cipó. Foto: arquivo pessoal.

Ela é muito confortável, as tiras da cintura se ajustam bem aliviando o peso, e esse modelo já vem com o protetor solar embutido (você puxa de dentro da mochila e prende na frente, podendo soltá-lo a qualquer momento). Comprei separado a capa de chuva, que é muito boa. Em março pegamos uma chuva torrencial na Serra do Cipó e ficamos encharcados, a Luisa ficou sequinha 🙂

Uma dica que aprendi com a Mara Imbellone (que acabou de encadenar a Coliseu – 9c, no Cipó!!), mãe da Luah de 1 ano e 1 mês , é usar aquelas almofadinhas de pescoço para quando o bebê dormir na mochila, assim não fica com a cabeça caída como a Luisa na foto, rs.

Observação: toda vez que visto ou tiro a mochila preciso da ajuda de alguém, pois quando a criança está mais pesada, dá medo de derrubar a mochila para o lado.

Concluindo: os amigos e a família são peças chaves na nossa volta à escalada. Qualquer ajuda como dar colo, dar segurança é bem vinda! Obrigada pra todo mundo que já me ajudou com a Luisa!

É isso, espero que tenha ajudado!

Se tiverem dúvidas, sugestões e mais dicas sobre este estilo de vida, escreva!

Boas escaladas,

Analu.